Qualidade da Informação no Processo de Tomada de Decisão em Grupo


Maria Manuel Salazar
Diretora do Serviço de Sistemas de Informação


Resumo

O Processo Clínico Eletrónico é uma mais valia num ambiente hospitalar, e a implementação da interoperabilidade é crucial para garantir a disponibilização de informação com qualidade a partir do Processo Clínico Eletrónico e garantir a comunicação entre sistemas heterogéneos. No trabalho que apresentamos foi definido um modelo computacional para formalizar o processo de tomada de decisão em grupo, em termos de cenários múltiplos e utilizando agentes inteligentes. Foi avaliada a maturidade do Processo Eletrónico como ponto de partida para melhorar a sua qualidade, assim como potenciar e viabilizar o processo de tomada de decisão em grupo.

No processo de tomada de decisão em grupo, a argumentação tem um papel muito importante. As decisões são tomadas considerando diversos pontos de vista e de perícia dos diferentes participantes, de forma a decidir o caminho que o grupo deve seguir. No entanto, o conhecimento e a crença são normalmente incompletos, contraditórios e sensíveis ao erro, sendo desejável o uso de ferramentas formais para abordar o problema de usar informação incerta e não precisa no raciocínio. Por outro lado, os modelos e o raciocínio baseados, na qualidade têm sido objeto de estudo atualizado na área científica da Inteligência Artificial, em particular devido à necessidade de oferecer ajuda nos processos de tomada de decisão. Neste doutoramento, o problema foi tratado através do uso de uma linguagem de programação em lógica estendida, em que a qualidade da informação é obtida a partir de programas lógicos ou teorias. Foi definido um modelo computacional para formalizar o processo de tomada de decisão em grupo em termos de cenários múltiplos, também definidos como programas em lógica ou teorias, em que o cenário mais apropriado é aquele em que a qualidade da informação é maior.

O Processo Clínico Eletrónico (PCE) é, sem dúvida, uma mais valia num ambiente hospitalar, tornando-se indispensável nos hospitais onde está implementado, trazendo benefícios tanto para os profissionais de saúde como para os pacientes. Posto isto, é sendo de extrema importância assegurar que este sistema esteja atualizado, apresente as melhores funcionalidades e seja de fácil utilização, de modo a auxiliar o trabalho dos profissionais.
Neste trabalho foi feita uma avaliação do PCE implementado no Centro Hospitalar do Porto (CHP). No contexto do PCE do CHP, foram desenvolvidas avaliações de usabilidade ao sistema através de questionários e do método heuristic walkthrough., Recorreu- se igualmente a um modelo de avaliação de registos médicos eletrónicos, o Electronic Medical Record Adoption Model (EMRAM) para analisar o nível do corrente PCE. Além de tornar possível a averiguação do atual estado do PCE implementado no CHP, foi igualmente possível obter uma visão do que ainda se pode progredir. Posteriormente, foi efetivada uma análise SWOT com o intuito de adquirir informação mais precisa nos aspetos a alterar no PCE. Com base neste estudo, o CHP passa a ter conhecimento do estado atual do PCE implementado, das suas fragilidades, bem como das potencialidades que podem vir a ser exploradas.


Questões de investigação

Neste trabalho foram seguidas as metodologias de investigação “Ação-Investigação” e “estudo de casos”. Procurou-se responder às seguintes questões de investigação. A utilização do PCE garante uma melhor qualidade de informação, permitindo uma melhor qualidade de diagnóstico e conduzindo a uma redução do número de erros médicos? Em ambiente real, é possível avaliar o desempenho, a segurança e a usabilidade do PCE? Pode o PCE ter um papel crucial na tomada de decisão no tratamento de doentes? Como implementar, em ambiente real, a interoperabilidade na saúde?


Resultados

Foram apresentadas as seguintes respostas. A consciência do nível de maturidade do sistema PCE é vital. A avaliação da maturidade do PCE mostrou ser uma excelente ferramenta, que forneceu informações úteis para melhorar a qualidade do PCE. Na escala do HIMSS, composta por 7 escalas, o PCE do CHP foi colocado na escala 6. Os resultados permitiram identificar uma série de pontos fortes e pontos fracos. Endereçou-se o problema de avaliar a qualidade de informação e o grau de confiança associados ao PCE. A interoperabilidade é essencial para a resolução de problemas de decisão em grupo. Vários dos interesses de investigação na tecnologia de agentes inteligentes são de grande utilidade e interesse para serem aplicados nesta área. Avaliar a qualidade da informação associada ao PCE também é crucial para o processo de tomada de decisão em grupo. O uso de Sistemas Multiagente (SMA) em problemas de interoperabilidade constitui uma oportunidade de pesquisa significativa para melhorar a comunicação entre sistemas heterogéneos e mostrou ser um facilitador. O HL7 foi identificado como o padrão mais comum para a interoperabilidade entre sistemas de informação na saúde.


Conclusões e Trabalho Futuro

Para viabilizar e potenciar a decisão em grupo, é necessário ter um PCE como fonte de informação. A informação está dispersa num vasto ecossistema de aplicações. Para isso torna-se importante avaliar a sua maturidade, assim como potenciar a intervenção de melhoria, com recurso à interoperabilidade e à avaliação da qualidade da informação que disponibiliza. O uso da norma HL7 e dos Sistemas Multiagente (SMA) em problemas de interoperabilidade e de decisão em grupo mostrou ser facilitador. A avaliação da qualidade de informação associada ao PCE utilizando um modelo que soluciona o problema com base na prova formal foi crucial para o processo de tomada de decisão em grupo. A avaliação do PCE mostrou ser uma excelente ferramenta, que forneceu informações úteis para melhorar a qualidade do PCE, atendendo ao contexto clínico, crítico e complexo em que essa informação é produzida.

No futuro, pretende-se afinar o processo de avaliação da qualidade da informação e do grau de confiança associados ao PCE, assim como melhorar a maturidade do PCE para atingir o último patamar da escala do HIMSS. Um hospital avaliado na escala 7 deve demonstrar uma superior implementação e utilização de sistemas de informação na saúde, resultantes de uma verdadeira partilha, troca de informações e entrega imediata de dados do paciente para melhorar o desempenho doa processos, a qualidade dos cuidados e a segurança. Serão desenvolvidos sistemas inteligentes para viabilizar a participação de agentes inteligentes em reuniões de grupo dos serviços hospitalares.


Maria Manuel Salazar, Diretora do Serviço de Sistemas de Informação