Escleroterapia com polidocanol espumoso no tratamento da doença hemorroidária


Paulo Salgueiro
Gastrenterologista

Paulo Salgueiro, assistente hospitalar graduado de Gastrenterologia no CHUdSA onde é responsável pela Consulta de Pâncreas e Vias Biliares e pela técnica de Colangiografia Retrógrada Endoscópica e vice-coordenador da Unidade Multidisciplinar de Pavimento Pélvico.Professor Associado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto (ICBAS-UP). Doutorou-se em Ciências Médicas no ICBAS-UP em Novembro de 2022 sob a orientação do Professor Doutor Fernando de Castro Poças.

 

A doença hemorroidária (HD) é muito prevalente e tem um forte impacto na qualidade de vida dos doentes. Contudo, a evidência na literatura acerca do tratamento desta doença é escassa, sobretudo no que se refere à comparação entre os procedimentos instrumentais mais comumente utilizados na prática clínica e a mais recente e promissora escleroterapia com polidocanol espumoso (PFS). Antes dos nossos estudos prospetivos, a laqueação elástica (RBL, rubber band ligation) era considerada o tratamento instrumental de primeira linha, contra o qual os tratamentos emergentes deveriam ser comparados. Eram igualmente necessários estudos a investigar o papel da PFS na população de doentes com coagulopatia.

Conduzimos, assim, um estudo aleatorizado a comparar a eficácia e segurança da PFS com a RBL no tratamento da HD de grau I-III, que demonstrou que a PFS foi mais eficaz a alcançar sucesso terapêutico completo. Para além disso, os doentes no braço da PFS necessitaram de menos sessões de tratamento e tiveram menor taxa de recorrência da HD e complicações decorrentes da intervenção terapêutica.

Noutro estudo prospetivo multicêntrico sobre o tratamento da HD na população vulnerável de doentes com coagulopatia, demostrámos que a PFS tem eficácia e segurança equivalentes em doentes com e sem coagulopatia, apesar de os primeiros apresentarem HD mais grave.

Estes resultados sugerem que a PFS pode tornar-se o novo tratamento instrumental standard na HD, mesmo em doentes com distúrbios da hemostase, pois parece ser uma alternativa segura e eficaz que não requer a suspensão da medicação antitrombótica, evitando assim um possível aumento do risco tromboembólico.

 

Consulte a versão integral: https://hdl.handle.net/10216/146242