Doença renal crónica no idoso: Compreender o prognóstico e trajetória do declínio da função renal, rumo a um cuidado individualizado


Josefina Santos
Nefrologista


Josefina Santos, Especialista em Nefrologia, integra enquanto investigadora, a equipa Nephrology, Dialysis and Transplantation da Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto.
Doutorou-se em Ciências Médicas no ICBAS-UP, em maio de 2021 sob a orientação da Prof.ª Doutora Luísa Lobato.


Para melhorar os cuidados centrados no doente e o prognóstico dos idosos com doença renal crónica (DRC), é relevante a gestão dos conhecimentos necessários para a tomada de decisões muitas vezes críticas, mas que devem ser partilhadas ao longo de toda a trajetória da DRC.

Os estudos de investigação no âmbito desta tese envolveram quatro coortes de doentes com DRC e idade igual ou superior a 65 anos do Serviço de Nefrologia do CHUPorto.

Usando um modelo de riscos competitivos, verificou-se que a presença de doença vascular periférica se associou a um aumento do risco de progressão da DRC até ao estádio terminal da doença renal (DRCt), mas não a um aumento da mortalidade pré-diálise, constituindo um potencial marcador de declínio da função renal. Por outro lado, um índice de comorbilidade de Charlson modificado ≥5 associou-se a um aumento do risco de morte pré-diálise mas não a progressão para DRCt, pelo que, considerando o risco de morte pré-diálise, o tratamento médico não dialítico poderá ser uma opção nestes doentes.

Foram identificados quatro grupos distintos de trajetórias de declínio do filtrado glomerular estimado (FGe) antes da diálise, com impacto nos cuidados pré-diálise e na mortalidade pós-diálise.

Foi desenvolvido e validado um modelo preditivo de mortalidade aos 6 meses após o início da diálise, tendo sido identificados cinco fatores preditivos independentes: idade ≥75 anos, doença coronária, doença cerebrovascular com hemiplegia, tempo de cuidados nefrológicos antes da diálise e níveis de albumina sérica. Este modelo representa uma ferramenta de fácil implementação na prática diária para orientar o tratamento do doente.

Foi ainda demonstrado que, em doentes idosos com DRC em estádio 4, o FG estimado através da cistatina C é um melhor preditor de mortalidade no primeiro ano, eventos cardiovasculares e hospitalizações do que o FG estimado através da creatinina, o que pode ser útil na tomada de decisões clínicas.

Consulte a versão integral: https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/133915 


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